História
do Café Tropicoffee
O café forte das montanhas da Bahia.
Ao desembarcar em São Paulo, em 1952, o português José
Fernandes, então com 19 anos, trazia muito pouco na bagagem,
mas estava cheio de esperança, coragem e determinação
para vencer. Estava longe de imaginar que, um dia, iria se valer
de muito dos ensinamentos adquiridos no trabalho na lavoura da família,
nos arredores de Coimbra , e mais tarde nos cafezais do interior
paulista, para concretizar um projeto especial: produzir café
arábica no alto das montanhas tropicais da Bahia.
Aos 70 anos, José Fernandes
está feliz e satisfeito com os resultados obtidos com esse
projeto iniciado pela família há 17 anos na Fazenda
Terras de Santa Clara, em Lagoa do Morro. Hoje, essas terras produzem
um café especial, capaz de agradar os paladares mais exigentes.
É o “Café Tropicoffee”, uma seleção
de grãos de qualidade produzidos nas montanhas de Brejões.
Do plantio à colheita,
da secagem à torra, todo o processo é acompanhado
de perto por José Fernandes. É ele quem administra
a fazenda e tem a medida exata dos tipos de grãos que compõem
o blend do Tropicoffee. Segundo ele, é a seleção
e a combinação de grãos que possibilita a produção
do Tropicoffee, um café especial, com baixa acidez, forte
aroma e doçura natural.
José Fernandes conhece do assunto. Quando começou
a plantar café na Bahia, ele já tinha conhecimentos
sobre a lavoura, adquiridos nas plantações de Botucatu,
interior paulista, mas como não os considerava suficientes,
buscou orientação de técnicos, participou de
cursos, seminários, procurando sempre manter-se atualizado
sobre as mais modernas técnicas e todos os avanços
conquistados em relação a plantio, colheita e beneficiamento
de grãos. “Nós incorporamos as novas tecnologias,
os novos métodos, de uma forma harmônica com os tratos
tradicionais, manuais, mas eficientes e fundamentais na obtenção
de uma bebida de boa qualidade”, explica.
O espírito empreendedor,
a busca de melhores oportunidades e de aperfeiçoamento técnico
constante sempre marcaram a trajetória desse português
nos seus 47 anos de Brasil. O começo como vendedor de pão
em São Paulo, foi muito difícil, mas ele não
desanimou. Ele comprova o produto na padaria e revendia de porta
em porta nas luxuosas mansões da região dos jardins,
na capital paulista. Mais tarde, com muito esforço, juntou
as economias e adquiriu um posto de gasolina, em Água Branca,
também em São Paulo. Foi o primeiro de uma série
de negócios, que incluiu, entre outros, frota de taxis, restaurante,
lanchonete, chácara, fábrica de cerâmica e empresa
transportadora.
Na década de 70, no auge
do processo de desenvolvimento industrial da Bahia que resultou
na implantação do Pólo Petroquímico
de Camaçari, desembarcou em Salvador a convite de um amigo
e vislumbrou boas oportunidades de negócios, começou
em 1977 transportando minério e outras matérias primas
para as indústrias do Pólo. Mas, no início
da década de 80, ele sentiu necessidade de diversificar,
buscar novas oportunidades de negócios.
Apostando no instinto empreendedor,
juntou-se a um grupo de empresários e começou a plantar
café nas montanhas tropicais da Bahia, acreditando que as
Terras de Santa Clara poderiam produzir um café muito especial.
A longa crise no setor não o desestimulou. Continuou investindo
e terminou assumindo, em 1986, todo o empreendimento. Ele não
estava enganado. O projeto Fazenda Terras de Santa Clara está
consolidado. São quase três milhões covas, produzem
um café fino e de excelente qualidade.
A administração
da fazenda, a produção e seleção do
café tomam boa parte do tempo de José Fernandes, mas
ele não descuida de outros afazeres. Acompanha os resultados
dos negócios que mantém, discute estratégias
de mercado do café e ainda encontra tempo para dedicar-se
a outro empreendimento: um projeto de pecuária de leite,
uma atividade na qual também tem sido muito útil os
ensinamentos adquiridos na adolescência, na lavoura da família
em Portugal.
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